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Psicologia e/ou Psiquiatria (?)

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“… Certa ocasião [Marco Polo] foi convidado para dar uma palestra para duas turmas de alunos do último ano da faculdade de psicologia. A platéia era composta de mais de cem pessoas. O tema era “Depressão, a doença do século”. Após sua exposição, Marco Polo comoveu os alunos. Terminou com estas palavras a sua preleção:

Futuros psicólogos e psicólogas, a depressão é a experiência mais dramática do sofrimento humano. Só sabe a dimensão dessa dor quem já atravessou seus vales. As palavras são pobres para descrevê-la…

… Precisamos levar os pacientes a gerenciarem seus pensamentos, protegerem suas emoções e reeditarem o filme de suas histórias. Esta é a grande tarefa da psicologia. Os que exercem a psicologia devem ser pessoas apaixonadas pela vida e, acima de tudo, devem desenvolver habilidades para descobrir os tesouros soterrados nos escombros dos que sofrem. O mapa desse tesouro não esta em nossas teorias, mas nos comportamentos expressos sutilmente pelos próprios pacientes. Deixem-se ser ensinados por eles. Jamais se esqueçam de que nós não tratamos de doentes por não sermos doentes, mas porque sabemos que somos…

… Em seguida, abriu a palestra para o debate…

… Logo de inicio, uma aluna tocou com ousadia num assunto serio:

Professor, alguns psiquiatras não enviam seus pacientes para os psicólogos. Eles confiam no poder da medicação e dão pouca importância a ação psicoterapêutica. Alguns acham até mesmo que a psicoterapia é uma perda de tempo. Por que a psiquiatria se considera superior à psicologia? …

Os psiquiatras têm um poder que ditadores e reis jamais tiveram. Através dos antidepressivos e tranqüilizantes, eles penetram no mundo onde nascem os pensamentos, onde brotam as emoções. Este poder pode ser muito útil, mas, se mal usado, é capaz de controlar e não libertar os pacientes. Em tese, os medicamentos produzem efeitos mais imediatos, enquanto a psicoterapia, mais duradouros. Entretanto, nem por isso a psiquiatria é superior a psicologia. As duas ciências são complementares.

E por que são separadas? Indagou uma intrépida estudante…

… Para mim a psiquiatria e a psicologia estão separadas porque a ciência está doente. A psiquiatria e a psicologia se desenvolveram separadamente no século XX. A psicologia tornou-se uma faculdade separada e a psiquiatria, uma especialidade médica. Elas deveriam unir-se, pois a mente humana não está dividida, o ser humano é indivisível. Em minha opinião, a psiquiatria deveria ser uma especialidade da psi­cologia e não da medicina…

… Os psiquiatras saem bem-formados na compreensão do metabolismo cerebral e na ação dos medicamentos, mas malformados na compreensão da personalidade. Os psicólogos, ao contrário… Os psiquiatras podem atuar como psicoterapeutas, mas os psicoterapeutas não podem atuar como psiquiatras, jamais podem prescrever medicamentos. Esta é uma injustiça cientifica.

Há prejuízos para os pacientes pelo fato de a psiquiatria ser separada da psicologia? Bradou curioso um jovem estudante de direito, sentado no meio do corredor…

Em certos casos há, e muito. Quando um psicólogo atende um caso grave que necessita de intervenção rápida de medicação e encaminha para um psiquiatra, pode haver um intervalo de tempo perigoso até que o atendimento psiquiátrico seja feito. Por exemplo, nesse intervalo, os pacientes podem cometer suicídios, ter surtos psicóticos ou ataques de pânico. Se os psicólogos tivessem mais dois anos de especialização em psiquiatria, poderiam estudar melhor o corpo humano, a biologia do cérebro, a ação dos medicamentos e, assim, seriam capazes de prescrevê-los. Mas infelizmente existe uma disputa de mercado nos bastidores da ciência. Nem sempre o ser humano está em primeiro lugar.

Em seguida, uma aluna tocou em outro assunto importante e frequentemente mal entendido…

… Às vezes, os psicólogos, por falta de conhecimento ou por medo de perder seus pacientes, também não os enviam aos psiquiatras. Quando deveríamos enviá-los para serem medicados?

Não há regras rígidas, mas darei alguns princípios. Toda vez que há um quadro de confusão mental, risco de suicídio, humor intensamente depressivo, ansiedade grave ou insônia, o paciente deve ser medicado. Por favor, não esqueçam que vocês estão mexendo com vidas. Cada paciente e mais importante do que todo o ouro do mundo. Usem sem­pre o bom senso…

Por que a insônia deve ser medicada, professor?

Porque o sono é o motor da vida. Ele repara toda a energia que gastamos. A sua falta desencadeia ou intensifica muitas doenças psíquicas e psicossomáticas. Você pode tentar remover ou trabalhar as causas de uma insônia, mas não tente por muitos dias. Encaminhe seu paciente para um psiquiatra ou até a um neurologista, se o caso for simples. E não se esqueça de que você pode brigar com o mundo e sobreviver, mas, se brigar com sua cama, vai perder. Ah! E não leve seus inimigos para a cama. Perdoe-os, fica mais barato.

O grupo sorriu.

Qual a freqüência de pacientes deprimidos na população?

Existem diferentes estatísticas. No passado dizia-se que era 10% da população. Atualmente estamos nos aproximando de 20% das pessoas. O que indica que mais de um bilhão de seres humanos, mais cedo ou mais tarde, terão um episódio depressivo. E, infelizmente, por preconceito ou falta de política de saúde pública, a maioria das pessoas não se tratará, trazendo sérias conseqüências psíquicas, sociais e profissionais…

Como nessa faculdade 70% dos alunos eram mulheres, uma aluna na lateral da classe indagou:

Quem tem mais transtornos emocionais, as mulheres ou os homens?

As mulheres têm uma incidência maior…

As mulheres não adoecem mais facilmente no território da emoção por serem mais frágeis do que os homens, como sempre acreditou o machismo que reinou por milênios. Excetuando as causas metabólicas, elas adoecem mais porque amam, se doam, se entregam e se preocupam mais com os outros do que os homens. Além disso, frequentemente são mais éticas, sensíveis e solidárias do que eles. Elas estão na vanguarda da batalha da vida, por isso acham-se mais desprotegidas. Os soldados no front da batalha têm mais chances de ser alvejados…

Professor, eu estou aqui de curiosa. Sou estudante de engenharia, mas estou tão impressionada com o nível das ideias que penso que os alunos de todas as faculdades deveriam ouvir essas palavras. Nós aprendemos a lidar com números e dados, mas saímos completamente despreparadas para a vida. Por que existe esse vazio nas universidades?

Marco Polo agradeceu e disse:

O sistema acadêmico não precisa de conserto, mas de uma revolução. Ele gera gigantes na lógica, mas meninos na emoção. Os alunos não aprendem a libertar a criatividade, a ser empreendedores, a lidar com riscos e desafios. As faculdades ensinam a amar o pódio, mas não ensinam a usar as derrotas… Por mais que sejam cuidadosos, vocês poderão sofrer algumas derrotas, às vezes difíceis de suportar. Mas lembrem-se desta frase: ninguém é digno do palco se não usar suas derrotas para conquistá-lo.

Os alunos o aplaudiram com entusiasmo. Em seguida, outra aluna indagou, um pouco tremula:

Qual a freqüência das pessoas estressadas na sociedade?

O sistema nos transformou em máquinas de consumir, uma conta bancária a ser explorada. Temos sido escravos, vivendo em sociedades democráticas. Vocês são livres para pensar e sentir o que desejam? Quantas vezes vocês se atormentam por coisas que ainda não aconteceram, ou por pseudonecessidades?

Embora exista um estresse saudável que nos estimula a sonhar, a planejar, a enfrentar desafios, as sociedades modernas se tornaram fábricas de estresse doentio, que bloqueia a inteligência, obstrui o prazer, gera ansiedade, dores musculares, dores de cabeça, fadiga excessiva. De acordo com algumas estatísticas, mais de dois terços das pessoas estão estressadas nas sociedades atuais.

Uma outra aluna perguntou:

Mas quem pode ficar livre do estresse nesse mundo maluco e agitado?

Marco Polo fez um passeio em seu passado.

Quem abraça as árvores, conversa com as flores e vê o mundo com olhos de falcão.

Os alunos assobiaram. Deram gargalhadas, pensando que ele contara uma piada…

Isso não é loucura. Não estou brincando. Abracem árvores, contemplem a anatomia das nuvens, abracem o porteiro do prédio, cumprimentem o segurança da escola, não escondam seus sentimentos de quem amam, falem dos seus sonhos. Deixem-me filosofar: a existência é um belíssimo livro. Ninguém pode fazer uma excelente leitura desse livro se não aprender a ler as pequenas palavras…

Dizendo isso, Marco Polo encerrou o debate. Os alunos estavam impressionados com o que ouviram. Ele falara com poesia numa pales­tra sobre depressão. Jamais tinham visto a psique humana sob essa perspectiva…”

Trecho do capítulo 19 da obra de Augusto Cury, O FUTURO DA HUMANIDADE, 3°ed.

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“E viu a Rita Baiana, que fora trocar o vestido por uma saia, surgir de ombros e braços nus, para dançar. A lua destoldara-se nesse momento, envolvendo-a na sua coma de prata, a cujo refulgir os meneios da mestiça melhor se acentuavam, cheios de uma graça irresistível, simples, primitiva, feita toda de pecado, toda de paraíso, com muito de serpente e muito de mulher.

Ela saltou em meio da roda, com os braços na cintura, rebolando as ilhargas e bamboleando a cabeça, ora para a esquerda, ora para a direita, como numa sofreguidão de gozo carnal, num requebrado luxurioso que a punha ofegante; já correndo de barriga empinada; já recuando de braços estendidos, a tremer toda, como se fosse afundando num prazer grosso que nem azeite, em que se não toma pé e nunca se encontra fundo. Depois, como se voltasse à vida, soltava um gemido prolongado, estalando os dedos no ar e vergando as pernas, descendo, subindo, sem nunca parar com os quadris, e em seguida sapateava, miúdo e cerrado, freneticamente, erguendo e abaixando os braços, que dobrava, ora um, ora outro, sobre a nuca, enquanto a carne lhe fervia toda, fibra por fibra, tirilando…

…O chorado arrastava-os a todos, despoticamente, desesperando aos que não sabiam dançar. Mas, ninguém como a Rita; só ela, só aquele demônio, tinha o mágico segredo daqueles movimentos de cobra amaldiçoada; aqueles requebros que não podiam ser sem o cheiro que a mulata soltava de si e sem aquela voz doce, quebrada, harmoniosa, arrogante, meiga e suplicante…

…Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos, acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca.

Isto era o que Jerônimo sentia, mas o que o tonto não podia conceber. De todas as impressões daquele resto de domingo só lhe ficou no espírito o entorpecimento de uma desconhecida embriaguez, não de vinho, mas de mel chuchurreado no cálice de flores americanas, dessas muito alvas, cheirosas e úmidas, que ele na fazenda via debruçadas confidencialmente sobre os limosos pântanos sombrios, onde as oiticicas trescalam um aroma que entristece de saudade…

…Passaram-se horas, e ele também não deu pelas horas que fugiram…

…Só deu por si, quando, já pela madrugada, se calaram de todo os instrumentos e cada um dos folgadores se recolheu à casa.

E viu a Rita levada para o quarto pelo seu homem, que a arrastava pela cintura…

…Mas Jerônimo nada mais sentia, nem ouvia, do que aquela música embalsamada de baunilha, que lhe entontecera a alma; e compreendeu perfeitamente que dentro dele aqueles cabelos crespos, brilhantes e cheirosos, da mulata, principiavam a formar um ninho de cobras negras e venenosas, que lhe iam devorar o coração.

E, erguendo a cabeça, notou no mesmo céu, que ele nunca vira senão depois de sete horas de sono, que era já quase ocasião de entrar para o seu serviço, e resolveu não dormir, porque valia a pena esperar de pé.”

Trecho do capítulo VII da obra de Aluísio Azevedo, O CORTIÇO, 1890.

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Rita Baiana é uma personagem do romance “O Cortiço”, publicado em 1890, de autoria de Aluísio Azevedo. A obra é um marco do Naturalismo no Brasil, onde os personagens principais são os moradores de um cortiço no Rio de Janeiro, precursor das favelas, onde moram os excluídos, os humildes, todos eles possuindo problemas e vícios, decorrentes do meio em que vivem.

O autor descreve a sociedade brasileira da época, formada pelos portugueses, os burgueses, os negros e os mulatos, pessoas querendo mais e mais dinheiro e poder, pensando em si só, ao mesmo tempo em que presenciam a miséria, ou mesmo a simplicidade de outros.

O livro além de personificar o cortiço (“Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.”, capítulo III), trata os personagens não como causa, mas como efeito dele.

Todo personagem que conviver com pessoas consideradas de baixo nível, irão desvirtuar-se, como, por exemplo, Jerônimo: Era um rapaz trabalhador, honesto, vivia para a mulher, que também vivia para ele, ambos tinham se mudado de Portugal em busca de melhores condições no Brasil. Amavam-se profundamente. Jerônimo vai trabalhar em uma pedreira e se hospeda com sua mulher, Piedade, no cortiço, lá conhece a Rita Baiana. Por causa de Rita, Jerônimo modifica seus hábitos, passa a beber, tomar café e reclamar do trabalho. Isso mostra uma característica forte do Naturalismo, o determinismo, como o homem é produto do meio. Ele se apaixona pela baiana e, após algum tempo, faz-se um relacionamento extraconjugal. Jerônimo deixa a mulher e vai viver com Rita. Piedade, abandonada, começa a beber.

Soneto do amor total

Tamanha beleza e entrega ainda não vi igual…

Soneto amor total

Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinicius de Moraes

Ato criminoso, círculo vicioso.

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Antes de propor soluções para o aumento da violência nos últimos anos, é preciso entender o grave problema da inflação que o Brasil enfrentou na década de 1980. A inflação não é apenas um fator econômico, mas também psicológico e moral, pois dificulta o controle orçamentário público, facilita a corrupção, contamina a confiança mútua, corrói os valores da vida e gera a revolta de jovens de classe pobre que geralmente não pensam consensualmente. Isso faz nascer o bandidismo, e a explicação do garoto que rouba porque é um necessitado se torna cada vez mais frequente. Entretanto, não se rouba para o próprio consumo e os objetos furtados retornam à circulação de mercadorias através das feiras de camelôs. O que é visto por esses jovens como oposto ao sistema serve ao mesmo princípio da acumulação e obtenção de lucro desmensurado.

A impunidade provoca um sentimento de desordem e incerteza na população, produzindo uma crise de valores; a ausência de noções de direitos faz do assassinato uma forma comum de resolver os conflitos; o instinto masculino impõe a necessidade de responder às provocações de modo violento para conseguir o respeito dos colegas e a admiração das mulheres. Neste mesmo contexto, o jovem necessita ter dinheiro que lhe permita consumir rapidamente o que conseguiu ganhar facilmente. Essa orgia de consumo cria um círculo vicioso interminável, onde o jovem precisa estar sempre repetindo o ato criminoso. Sendo assim, sua adesão ao crime não se explica pela miséria e sim pelo enriquecimento rápido. No entanto, é um iludido: quase sempre esse jovem morre muito cedo, ou passa a viver no horroroso sistema prisional brasileiro, deixando de contribuir para a renda familiar.

Além disso, a violência piora os já combalidos hospitais, com custos altíssimos para o sistema que já sofre com os desvios de verba. As escolas, além dos problemas de currículo, má formação de professores e baixos salários, têm ainda que enfrentar os efeitos do crime organizado sobre os alunos. A alta taxa de crime amedronta a população, e a insegurança ameaça a qualidade de vida. As pessoas se trancafiam, como se estivessem numa guerra, deixando de se organizar e participar das decisões locais que afetam suas vidas. Contudo, nesta guerra não há inimigos claros e o assaltante pode ser seu próprio filho que te rouba pra pagar seus vícios.

A escola é o elo principal no rompimento deste circulo vicioso. A reformulação no gerenciamento deste setor é imprescindível para implantação de um ensino de horário integral, e as políticas de ajuda a famílias pobres com crianças em idade escolar ganham extrema importância, apesar de todas as críticas sobre o caráter eleitoreiro que estes programas sociais podem ter. A valorização da educação pode trazer, no devido tempo, as soluções tanto para o sistema prisional brasileiro, como também para a corrupção. O que falta para a mudança é vontade política por parte da classe dominante que provavelmente não concorda com este pensamento. Para alimentar as mudanças, volto a propor o debate.

Daniel Branquinho Ferreira

Referência bibliográfica:
ZALUAR, A. M. . Integração perversa: pobreza e tráfico de drogas. 1. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2004. v. 1. 440 p.

Jesus Cristo

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Para começar a preencher o Blog de idéias, inicialmente, vou publicar uma série de trechos de livros que considero interessantes. O propósito é usar uma passagem para despertar discussões sobre o assunto ou o interesse pela obra.

Como estamos próximos do Natal, nada mais justo do que escolher Jesus Cristo como tema. Pensei em alguns livros importantes de teologia, mas preferi um que tivesse uma visão mais filosófica e uma linguagem voltada aos jovens:

“… na época de Jesus, muitos imaginavam o novo Messias como um líder político, militar e religioso do mesmo calibre do rei Davi. Quer dizer, o “redentor” era visto por todos como um libertador nacional, que teria vindo para pôr fim aos sofrimentos dos judeus sob a dominação dos romanos.

Mas outras vozes também se ergueram. Duzentos anos antes do nascimento de Jesus, outros profetas já haviam anunciado que o Messias prometido seria o redentor de todo o mundo. Ele não apenas libertaria os israelitas do jugo de outros povos, mas viria para redimir todos os homens do pecado, da culpa e também da morte…

E então aparece Jesus. Ele não é o único que aparece como o Messias prometido; e, como muitos outros, também ele usa as expressões “Filho de Deus”, “Reino de Deus”, “Messias” e “Redenção”. Assim procedendo, Jesus alinha-se às antigas profecias. Ele vai para Jerusalém e se deixa aclamar pelas massas como o salvador do povo… Jesus também se permite ser ungido pelo povo. “É chegada a hora”, disse ele. “O Reino de Deus está próximo.”

É muito importante gravar todas essas coisas. Mas o mais importante vem agora: o que diferenciava Jesus dos demais profetas que diziam ser o Messias era o fato de ele admitir publicamente que não era um comandante militar ou político. Sua tarefa era muito maior. Ele pregava a redenção e o perdão de Deus para todos os homens. E é por isso que ele podia caminhar por entre as pessoas e dizer: “Teus pecados estão perdoados”. Dizer abertamente essas coisas era algo jamais visto. Por esta razão não demorou muito tempo para que entre os escribas se levantassem protestos contra Jesus. Por fim, esses escribas também se puseram a trabalhar no processo de acusação e execução de Jesus.

Vou tentar ser mais exato: no tempo de Jesus, muitas pessoas esperavam por um Messias que restaurasse o Reino de Deus sob o rufar de tambores e o som de trombetas (quer dizer, a ferro e fogo). A expressão “Reino de Deus” está presente em todas as pregações de Jesus, só que num sentido muito mais abrangente. Jesus dizia que o Reino de Deus era o amor aos semelhantes, a compaixão pelos fracos e o perdão para todos os que tinham errado.

Vemos aqui uma dramática alteração no sentido de uma antiga expressão de cunho militar. As pessoas esperavam, portanto, por um general que proclamasse um Reino de Deus. E então aparece Jesus trajando uma túnica, usando sandálias, e diz que o Reino de Deus ou “a nova aliança” significa “Amar o teu próximo como a ti mesmo”. E mais ainda, Sofia. Jesus também disse que devemos amar nossos inimigos e quando eles nos esbofeteiam não devemos pagar-lhes na mesma moeda, mas oferecer-lhes a outra face. E que temos de perdoar; não sete vezes, mas sete vezes setenta…

… Jesus foi um ser humano extraordinário. Ele soube usar de forma genial a língua de seu tempo e deu a conceitos e palavras-chaves antigos um sentido novo, extremamente ampliado. Não é de admirar, portanto, que ele tenha acabado na cruz. Sua mensagem radical sobre a redenção dos homens ameaçava tantos interesses e posições de poder que ele tinha de ser eliminado …

… Para o cristianismo, Jesus foi o único homem justo que viveu. Não obstante, foi condenado à morte. Para o cristianismo, portanto, ele morreu pelos homens. E “sofreu no lugar dos homens”, como se costuma dizer. Jesus foi o “servo que sofreu” e que tomou para si toda a culpa dos homens, a fim de nos reconciliar com Deus e nos salvar de seu castigo. ”

O Mundo de Sofia – Jostein Gaarder.

Elos de informação

Antes de começar a “deflorar” as idéias que, de certa maneira, considero plausíveis de alguma discussão, acho pertinente contar a motivação inicial de construir um blog.

Eu, que sempre tive preconceitos com esse tipo de mídia não convencional, desacreditado da qualidade das informações encontradas alí, percebi o meu engano quando minha irmã, Débora, estudante de jornalismo, escolheu para a sua monografia o tema “Blog como ferramenta da Comunicação Empresarial”.

Realmente, achei que essa laranja não daria suco, só que a jarra transbordou. Depois de ver tanto livro sobre o assunto espalhados pela casa, resolvi me interar e descobri que profissionais renomados, que, aliás, gosto de ler no Jornal, como, por exemplo, a Mirian Leitão, faz do Blog uma ferramenta excepcional para difusão das informações.

Claro, que não tenho a pretensão de comparar minhas singelas opiniões sobre trechos de livros que gosto e pretendo reproduzir aqui com publicações profissionais. Como minha irmã me diz: “Blogueiro não é jornalista”. E cá entre nós, nem blogueiro eu sou. Apenas demando um espaço pra tornar público o pensamento que julgar conveniente e, se possível, criar um bom debate.

O debate é imprescindível na evolução de um pensamento. Quando o locutor expõe sua idéia sobre um fato e o ouvinte propõe uma pergunta, geralmente para responder, o locutor precisa buscar em sua consciência uma informação sobre algo que já tenha vivido e que, para sua mente, não havia relação com o assunto até o momento anterior a pergunta.

O aproveitamento dessa informação perdida enriquece a idéia inicial e instiga o ouvinte a buscar também outro elo de informação, fazendo assim revezar-se a função de locutor e ouvinte. Criado o debate, surge a possibilidade de evoluir o pensamento e de atingir uma conclusão que somente será uma verdade até que seja feito um novo debate.

O objetivo é utilizar o instrumento Blog em conjunto com a ferramenta Debate, porém não estou certo se outra característica aparecerá. Agora, apenas quero criar um começo e, com o passar do tempo, pretendo trazer as melhorias.

Abraços.